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29/07/2008
Equipe exclusiva eleva transplantes
Modelo espanhol, considerado o melhor do mundo, tem profissionais com dedicação integral para a procura de órgãos
Emilio Sant'Anna
Referência mundial em transplantes, a Espanha tem uma das leis mais avançadas e liberais sobre doação de órgãos. Todo cidadão espanhol diagnosticado com morte cerebral é um doador em potencial. Isso, no entanto, não é o que explica o sucesso do sistema.
Em entrevista ao Estado, o coordenador do serviço de transplantes renais da Universidade de Barcelona, Josep Campistol Plana, afirma que a profissionalização dos responsáveis pela identificação de doadores e a dedicação exclusiva foram os fatores fundamentais para o país atingir a marca de 34,3 doadores por milhão de pessoas (pmp), em 2007. No Brasil, essa taxa foi de 5,75 pmp, no mesmo ano.
O que faz do sistema de transplantes espanhol o melhor do mundo?
Creio que o fundamental é a estruturação da busca por órgãos. Há aproximadamente 20 anos, foi criada na Espanha a Organização Nacional de Transplantes (ONT), que organizou e, principalmente, profissionalizou a procura de órgãos. O resultado foi a dinamização da fila de transplantes e a diminuição da recusa familiar. A Espanha é líder em transplantes há quase dez anos. Um país com 45 milhões de habitantes em que fazemos, por exemplo, mais de 2 mil transplantes renais por ano, dos quais praticamente 95% são doadores cadáveres. A Espanha é líder graças a isso.
Como funciona o sistema?
Os hospitais têm uma equipe que se dedica especificamente a isso, em tempo integral, com dedicação exclusiva. São profissionais treinados para identificar a morte cerebral e fazer a abordagem das famílias para tentar minimizar as recusas. Geralmente, esses profissionais são acostumados com a rotina das unidades de cuidados intensivos.
Qual a avaliação que o sr. faz do modelo brasileiro?
Cada país tem que analisar qual o modelo ideal para a sua realidade. Mas creio que ter profissionais dedicados integralmente a isso é muito importante, assim como a remuneração. Ter esses profissionais é fundamental para um país que pretende aumentar o número de doações.
É uma função valorizada pelos médicos espanhóis?
Sim. Há três perfis que se encaixam nessa função. As pessoas que trabalham em UTIs, as pessoas que se dedicam a fazer transplantes e os anestesistas que conhecem bem o tema. No entanto, não precisa necessariamente ser um médico. Pode ser um enfermeiro, ou outro profissional de saúde. O fundamental é que seja alguém que conheça bem o tema por inteiro, da detecção do doador com morte cerebral até de que forma abordar a família.
Como funciona a lei de transplantes espanhola?
A Espanha tem uma lei bastante aberta e progressista. Qualquer pessoa com morte cerebral é um potencial doador. Mas é importante que se diga: nunca fazemos isso sem o consentimento da família. Apesar de a lei permitir que se faça a retirada dos órgãos sem a permissão da família, nunca fazemos isso sem a autorização. Por isso, as negativas são baixas.
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